Fragmento de lembrança

De repente, você olha para o lado e está sozinho. É noite fria e está num ponto de onibus com outros desconhecidos. A última volta da corrida diária havia terminado. O cansaço começa a tomar conta de seu corpo. Sua cabeça começa a ser tomada por um turbilhão de pensamentos, dúvidas, questionamentos e reflexões. Você questiona suas atitudes, suas decisões, sua vida. Tenta entender se fez e a coisa, se está perdendo algo, tenta se ver em você mesmo.

Após esse primeiro contato, você quer fugir desse momento. Cobra de si mesmo uma postura rígida, fala sozinho e tenta afugentar o fantasma do Vazio. Mas é em vão.

Você então passa a reconhecer suas fraquezas, sua prepotência e arrogância , sua vaidade. Começa a deixar de se sentir mais um dos homens-máquina do mundo e passa a se sentir mais humano.

Você reconhece não gostar da cobrança alheia, mas reconhece o quanto cobra de si mesmo. Reconhece a mania de forçar ao máximo os limites do corpo e da mente. Pensa em mudar essas atitudes mas reconhece que, talvez, se fizesse isso, não seria mais você mesmo.

Você lembra do TCC de uma professora sua que o comparou com Holden Caulfield. Lembra de ter achado aquela comparação a mais descabida que já havia visto mas reconhece agora o quanto aquela comparação faz sentido. Decide ler o livro que ganhou dessa professora. E põe esse plano junto com muitos outros na sua Gaveta de Planos.

Eis que então, você vai ter com seu melhor confidente e conselheiro, o travesseiro. Esbraveja, revenera e cede. Você, por fim, adormece. Acorda no dia seguinte, veste sua armadura e sua mascára e  sai pra mais uma batalha.

Relembrado por ele.

O amor e a guerra

Se alguém ler isto, me desculpe a tautologia, mas a sabedoria popular é sábia. Já dizia ela que, no amor e na guerra, vale tudo. São como reflexos um do outro.

No amor, você não pode entregar os pontos,  não pode dar bandeira.  Não pode perder territórios. Não pode se mostrar fraco perante o inimigo. Não pode baixar a cabeça.

Você deve ser implacável. Você deve resistir até sua última fortalezer ruir e seu último homem tombar. Você deve conquistar.

Entretanto, por ser o amor uma guerra, você deve estar preparado para o caos. Para a destruição interna. Para o sofrimento. Para a apreensão da espera do telefonema, como a da espera de um bombardeio.

Você deve estar preparado para o cessar fogo, para armistícios, para tratados de paz. Você deve estar preparado para o cortejo fúnebre do General Razão.

Você deve, acima de tudo, estar pronto para a reconstrução solitária de seu território destruído.

El-e.

Mudar o compasso…

… mais importante do que a localização é o referencial. Nem os planos cartesianos, nem o gps, nada que coloque sentido nas coisas supera o sexto sentido. E mais do que isso, a certeza que dar um passo para trás, para futuramente dar dois passos pra frente é maior do que qualquer dinheiro.
Para quem não teve muitas escolhas, para quem não tem pressa, para quem não tem medo, para quem mira um ponto e atira nele… a morte é o limite.
Resolvi mudar, de novo, e seguir atrás daquilo que eu realmente acredito. Se é certo ou errado, acho que o tempo se encarrega da resposta, enquanto eu conseguir transformar o meu mundo, isso basta.
Mais uma vez, resolvi acreditar e a explorar o que há de melhor em mim, apenas.

ELA!

Revisando conceitos

Vestido com sua armadura, o guerreiro da Grande Virtude descansa. Ele está junto a seus companheiros de batalha. As armas são carregadas e descarregadas incessantemente com um líquido gelado de gosto bom. Já haviam vencido diversos outros combates mas aquele tipo de terreno era novo para eles. A batalha seria longa. 4 dias de duras batalhas e sem o conforto de casa.

Ali, numa roda junto a uma parte dos demais guerreiros, ele dá e causa risadas. Junto a seu pelotão tem fama de ser bom de combate, é normalmente o último homem a cair. O papo vai e vem e pouca coisa o preocupa naquele momento. Excessão feita a sua vontade louca de disputar outro tipo de batalha durante aqueles 4 dias. Queria mesmo lutar com a bolas nos pés, mas suas escolhas o levaram a abdicar dessa possibilidade. Sabe disso, portanto logo esquece e volta a se focar no convívio com seus colegas.

Risos, músicas e flertes. A tenda estava cheia. Guerreiros de um lado, amazonas do outro. Mas o embate direto não parecia ser a melhor tática para ambos os lados. Poucos representantes dos dois lados engalfinhados.

Uma mão. O guerreiro sente uma textura fina percorrer seu tórax. Um beijo. Sua bochecha esquenta. Aperta firme aquela mão e vira. Surpresa.

Conhecia aquela amazona. Haviam estado em combate certa vez. Um único e caloroso combate. Ao final daquele entrave, o guerreiro saiu combalido e sua recuperação foi demorada. Deixou feridas profundas naquilo que um guerreiro tem de mais valioso, seu coração e sua mente. Ele, porém, utilizou o bálsamo do tempo e viu a cicatriz quase desaparecer. Havia ainda um resquicío na memória mas sem sequela alguma.

Fazia tempo que não passavam de um mero cumprimento social. De repente, uma abordagem daquelas. Talvez fosse o tempero etílico do ambiente, ele pensa. Enfim, começam a conversar. Falam de amores, do que aconteceu nesses tempos que nunca mais se encontraram de verdade. Ele pergunta como ela está em relação a uma perda irreparável em sua vida. Ela diz que aprendeu a conviver, agradece o apoio dado por ele, tece elogios incessantes, segura sua mão, o apresenta às amigas. Ele não entende muita coisa, somente o que aquele sinais representavam. Mas eis que surge o capitão daquele terreno.

Ele fita o rapaz, menino mais novo que ele, já havia o visto antes. Gosta dele, afinal ela disse que está feliz. Com seu jeito tímido de menino eduacado o garoto cumprimenta o guerreiro. Apesar da aparência calada, o aperto de mão é forte. O guerreiro valoriza isso. Por fim, o garoto escolta a amazona de volta. Parece ter sentido seu território ameaçado.

O guerreiro vê os dois sumirem na multidão e volta sereno ao convívio de sua tropa. As perguntas começam. Ele desconversa ou responde de maneira rápida.

Pulsação normal, sono pesado, Paz. Vitória. O Bloco pode voltar a  ditar o ritmo desse baile.

ele.

Disciplina…

… é a palavra da vez. Para um alguém que se dá o luxo de perder o sono e ficar até às 4 da matina na internet. Para um alguém que se dá ao luxo de comer Mc Donald’s duas ou até três vezes por semana, da mesma forma fica sema arrumar o quarto por mais de duas semanas, não tira o extrato bancário por mais mais de semanas, e desce bronca no débito. Para um alguém que já teve pneumonia e sai na rua com cabelo molhado, para um alguém que consegue ficar 4 horas na frente de um computador sem fazer nada de útil, para um alguém que fica dias sem falar com a mãe, e quando fala: briga, para alguém que não vai ao médico quando precisa, que maltrata o próprio corpo, com noites mal dormidas e mais um monte de coisa. Para alguém que não sabe guardar dinheiro e também não gasta com coisas úteis, para alguém que não se apega a ninguém, e quando se apega, perde. Para alguém que falta no trabalho, depois de 7 anos sem nenhuma falta, justamente por ter certeza que não faz nenhuma falta, para alguém que já mentiu pra si próprio, e já brincou com sentimentos alheios, e hoje não sabe em que ponto da vida está. Para alguém que não se questiona muito,e vive, intensamente tudo o que lhe cabe. Esse alguém deixou de lado a tal da hipocrisia, o politicamente correto, o certamente, as certezas, e hoje vive no limite da inexistência, tentado preencher as lacunas que lhe foram impostas. excesso e falta. excesso e falta? o que é mais facil? onde esse alguém se encontra? ou se perde?

a palavra de ordem é DISCIPLINA!

confusão DELA!

a tal da vontade…

… de repente você está rendido. cabelos no rosto, o corpo suando, mãos trêmulas, querendo chegar perto, esperando um sorriso. de repente, você se afoga no seu próprio ar, quer jogar o celular na parede, quer sair andando, fechar as gavetas, o ziper da bolsa, e deixar um adeus para todos que ficam. de repente, o seu corpo não responde ao chamado, nem aos impulsos, você quer ficar deitado num banco qualquer escutando qualquer música que te traga lembranças, quer ler um editorial da CULT, quer assistir um filme, ler sobre esporte, estudar o que você esperou tanto tempo para de dedicar, quer conversar com os amigos, jogar papo pro ar, quer ver seu sobrinho, seu priminho, seu irmão mais novo. de repente você quer cortar o cabelo, usar um visual moderno, escutar músicas novas, comprar uma camiseta descolada. de repente você quer seguir a tal da vontade, comer uma pizza de escarola com shimeji, guaraná com banana, beijar, beijar, beijar… tudo e todos. dá vontade de sair do túnel.
Essa tal de vontade te revira os brios, te tira do eixo, te joga contra a sua parede e te alinha em você mesmo. essa tal de vontade te faz sentir saudade de um nada, te faz valorizar o nada, te faz perder valores, ocasionou o fim do império romano.

“esse é só o começo… dos fins das nossas vidas (…) prepara uma avenida que a gente vai passar”

ELA

E o cansaço…

… é pouco mas é muito. depende do ponto de vista de quem quer olhar. na verdade, alguns se isentam do sentimento justamente por temerem a importancia. sublime. eu não quero pena, nem ajuda, quero apenas que entendam. e por um simples motivo: estou cansada.

ELA

Voilà

Ela disse adeus.
(Now the deed is done)
(As you blink she is gone)
(Let her get on with life)
(Let her have some fun)

Ela disse adeus, e chorou,
já sem nenhum sinal de amor.
Ela se vestiu, e se olhou;
sem luxo, mas se perfumou.
Lágrimas por ninguém,
só porque, é triste o fim.
Outro amor se acabou.

Ele quis lhe pedir pra ficar;
de nada ia adiantar.
Quis lhe prometer melhorar,
e quem iria acreditar?
Ela não precisa mais de você,
sempre o último a saber.

Ele.

Pra arrumar a bagunça…

O Anjo Mais Velho

O Teatro Mágico

O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente”

Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
Enchendo a minh’alma d’aquilo que outrora eu deixei de acreditar

Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar

Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto… depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só

Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar

[ BRASIL X PORTUGAL ]

Segundo Tempo:

Eles chegam em casa depois de uma noite maravilhosa, com shows maravilhosos, coincidências incríveis, mundo pequeno. Ela com o cabelo molhado da chuva, com frio. Ele molhado, com fome,  mas por ser homem, tem a temperatura do corpo mais elevada. Vão para o quarto, ele oferece uma camiseta, ela recusa, o que a incomoda mesmo são os cabelos molhados.  Ela usava uma regata preta, um short verde, e tênis. Ele uma camiseta listrada, uma bermuda, com uma bandana da vermelha amarrada no calcanhar e tenis.  Ele belisca um pedaço de melancia na geladeira. Ela toma água e deixa as bandanas em cima da mesa, que tem uma revista Quem (portuguesa). A cama é de casal, é para um casal de estranhos é mais estranha ainda. Ele deita na esquerda, ela na ponte direita, coloca o celular dele pra despertar às 5:30 da matina, são mais de 4. Ela chega mais perto dele, a cara dele é assustada. A sensação pra ela é diferente, não pela situação, mas pela ocasião. Ele a beija devagar. De repente a perna esquerda dele, empurra a perna direita dela, e num movimento de dança, ele olha sério nos olhos dela, de cima pra baixo, como um tiro. Ela fecha os olhos, se sente insegura, mas vive uma sensação impar: aquilo ali é o que ela espereva há anos. Dentre  todas as coincidências que aconteceram até ali, todas as risadas, os “não acredito” e os “tú não existes”  tudo se tornou incrível. Ela adormece. Ele fica olhando pro nada, tentando entender a intensidade dos fatos. Mas não adianta, tem certas coisas não cabem questionamentos, aceita-se.

Tira o fôlego, causa cólera, irrita, deixa triste,  alegre, com medo, suspende o corpo 5 cm do chão, dá força, coragem,  vaidade. Não dá pra explicar o que é … dá medo! E isso é o suficiente pra querer mais. Cada vez mais!

elA.