De repente, você olha para o lado e está sozinho. É noite fria e está num ponto de onibus com outros desconhecidos. A última volta da corrida diária havia terminado. O cansaço começa a tomar conta de seu corpo. Sua cabeça começa a ser tomada por um turbilhão de pensamentos, dúvidas, questionamentos e reflexões. Você questiona suas atitudes, suas decisões, sua vida. Tenta entender se fez e a coisa, se está perdendo algo, tenta se ver em você mesmo.
Após esse primeiro contato, você quer fugir desse momento. Cobra de si mesmo uma postura rígida, fala sozinho e tenta afugentar o fantasma do Vazio. Mas é em vão.
Você então passa a reconhecer suas fraquezas, sua prepotência e arrogância , sua vaidade. Começa a deixar de se sentir mais um dos homens-máquina do mundo e passa a se sentir mais humano.
Você reconhece não gostar da cobrança alheia, mas reconhece o quanto cobra de si mesmo. Reconhece a mania de forçar ao máximo os limites do corpo e da mente. Pensa em mudar essas atitudes mas reconhece que, talvez, se fizesse isso, não seria mais você mesmo.
Você lembra do TCC de uma professora sua que o comparou com Holden Caulfield. Lembra de ter achado aquela comparação a mais descabida que já havia visto mas reconhece agora o quanto aquela comparação faz sentido. Decide ler o livro que ganhou dessa professora. E põe esse plano junto com muitos outros na sua Gaveta de Planos.
Eis que então, você vai ter com seu melhor confidente e conselheiro, o travesseiro. Esbraveja, revenera e cede. Você, por fim, adormece. Acorda no dia seguinte, veste sua armadura e sua mascára e sai pra mais uma batalha.
Relembrado por ele.
